O seu voto vale menos do que R$20 (ou: porque eu não me importo com política)

O seu voto vale menos do que R$20 (ou: porque eu não me importo com política)

Você sabe quanto vale o seu voto?

Se você leu o título do artigo, agora você tem uma ideia. Mas quantas pessoas do país se perguntaram “Quanto vale o meu voto?”. Eu duvido que muitos se questionem disso.

A resposta é: o seu voto vale menos do que R$20. Pelas minhas contas, na verdade, ele vale muito menos do que isso.

Ou seja, todas essas horas que você gasta da sua vida lendo em blogs de política, se informando nas mais diversas fontes de notícias, discutindo com amigos ao vivo e pelo Whatsapp, escrevendo textões no Facebook… tudo isso não vale o que um pedinte recebe em duas horas de trabalho no semáforo.

E o pior:

Além do seu voto não valer nada, ele não tem absolutamente utilidade nenhuma.

Se você parar para calcular, sabe qual é a real porcentagem da utilidade do seu voto em meio a mais de 105.000.000 de votos válidos em eleições?

0.00000001%.

O seu voto é tão inútil quanto nada.

Apesar de eu achar extremamente entediante falar de política, creio que hoje seja um bom momento para tocar no assunto devido à recente convulsão social que estamos enfrentando.

Apesar desse não ser o foco do site, creio que devo tocar nesse assunto porque ele entra em nossas vidas por mais que tentemos nos afastar dele.

Hoje eu vou tentar mostrar um outro lado do real funcionamento da política para a vida de um indivíduo e como ela te afeta como homem.

O seu voto é inútil

festa fora temer

Vamos fazer um cálculo rápido e simples.

Em 2014 foram depositados 105.000.000 de votos para presidência. Dividindo o seu 1 voto por essa quantidade, cheguei à vergonhosa resposta de 0.00000001.

O seu voto tem uma diferença de 0.00000001% no total das eleições.

Isso quer dizer que o seu voto é simplesmente inútil.

O mesmo voto que alguém que passa centenas de horas se informando, tem a mesma utilidade do voto de alguém que apertou qualquer número aleatoriamente na urna.

Ou seja, tanto faz se você gasta 1 minuto para decidir ou 500 horas. O voto não se torna mais útil porque alguém passou mais tempo decidindo por ele.

O seu voto é inútil.

Se orgulhar de votar em um político porque pensa que aquela pessoa mereceu seu voto é tão idiota quanto achar que vai fazer alguma diferença mudar a foto do perfil do Facebook para “Fora Temer”.

O seu voto, na verdade, deve valer uns R$5

coxinha com pingado

Eu cheguei à marca de R$20 por voto porque juntei este dado com esta estatística.

Peguei o gasto total da campanha e dividi pela quantidade de votos recebidos para o cargo de presidência.

Mas o gasto total da campanha abrange as campanhas de todo o Brasil, ou seja, deputados, senadores e governadores.

Aquele carro de som de filho da puta que fica enchendo o seu saco durante o dia, aquele monte de outdoor ridículo, aquelas malditas panfletagens no sinal, gastos com administração, viagens, alimentação, etc.. tudo isso entra no custo da campanha.

Ou seja, fazendo uma matemática grosseira e primária, duvido que o seu voto para presidência valha mais de R$5.

Uma coxinha com pingado vale mais do que o seu voto.

Reflita nisso.

O voto que destrói as amizades e o sossego

modida bandeira do pt

Um dos famigerados ditados que mais perduram pelo tempo é “religião e política não se discutem”.

E esse ditado perdura porque ele é um conselho sábio.

Eu duvido que você que tá lendo isso agora não perdeu alguma amizade ou não brigou com alguém por causa de política.

Eu particularmente conheço amigos que saíram na mão por causa de discussão Pró x Contra Impeachment. Já vi pessoas terminando namoros e brigando na rua por causa disso.

Tem até quem perdeu um olho em manifestações por essa besteira.

E a pergunta que fica é: por que discutir? Pra quê? Em que sentido prático isso mudou na vida de alguém?

Semana passada acabou a energia no bairro e a vizinha, muito inteligente, disse que a culpa de não ter como assistir a novela era da Dilma. Alguma coisa a Dilma fez pra que o nosso bairro perdesse o fornecimento de energia.

Ok, é uma tiazinha burra e tal. Não dá pra usar ela como referência.

Mas aí outro dia um colega, formado em jornalismo em uma das maiores universidades do país e que trabalha em uma grande agência de notícias, disse que a economia estava entrando em recessão por causa do Temer.

O Temer não estava nem há 30 dias no poder mas, de alguma forma – e por puro sadismo – fez um pacto com o diabo pra ferrar com todo o Brasil no mesmo instante em que subiu ao poder.

É assustador como um cara que passou 5 anos estudando sobre o Brasil e a economia, e entende como ela funciona, se deixa levar pelas emoções a ponto de esquecer tudo o que aprendeu.

E esse colega tá lá, assinando diversas matérias nesse grande portal de notícias, criticando o que é contrário aos seus “ideais” sem refletir antes no impacto do seu trabalho.

Ele está lá influenciando a cabeça de centenas de milhares de pessoas que acreditam estarem consumindo informação de qualidade só porque o jornal onde ele escreve tem um nome a zelar.

E aí eu te pergunto de novo: por que discutir com a vizinha ignorante ou com o jornalista emotivo? Pra quê? Em que sentido isso vai mudar a vida de alguém?

A discussão sobre política invariavelmente se torna irracional.

E com irracionalidade não se discute.

Os políticos tão pouco se lixando para a sua vida e para a sua militância

ferida olho esquerdo visao cega dilma pedala

Talvez a cena mais simbólica do que eu estou tentando dizer este tempo todo é a colagem de notícias acima.

Uma garota perdeu a visão de um olho pelo resto da vida para defender uma pessoa que está tranquilamente dando um rolê de bike um dia após sofrer o que seria (em teoria) o pior momento da vida dela.

A coitada dessa garota vai acordar todos os dias, se olhar no espelho e lembrar que ela está debilitada para sempre por defender uma política que riu e abraçou os seus “inimigos políticos” momentos antes deles votarem pelo seu impeachment.

Ela vai perder o (pouco) de auto-estima na sua aparência por causa de um momento besta como esse.

Ela vai ter que recontar essa história para cada uma das pessoas que perguntarem, pelo resto da sua vida, como é que ela perdeu a visão do olho.

Ela vai sofrer para conseguir um emprego, para arranjar um(a) parceiro(a) amoroso(a), para tirar uma carta de motorista, para se maquiar…

Esse erro vai acompanhá-la por cada segundo da sua existência. 

Por quê? Pra quem?

Por algo que não mudou em nada o futuro. Por alguém que a trata como uma estatística.

Quanto mais eu penso nessa garota, mais angustiado eu fico.

Quanto mais eu reflito no quanto ela vai se arrepender disso, cresce mais ainda o frio na minha barriga de me imaginar estando na situação dela.

A democracia é uma piada

winston churchill e a democracia

Particularmente gosto muito da visão do Scott Adams sobre a democracia e sobre a experiência de vida do eleitor médio.

Qual é a sua experiência e o seu conhecimento para saber quem é o melhor candidato que vai escolher os melhores ocupantes dos mais diversos cargos políticos?

Você sabe exatamente o que um presidente faz? E um ministro? Você sabe o que é a Casa Civil? Você saberia ao menos diferenciar as atribuições entre um deputado federal e um senador?

Você sabe o que é e pra que serve o FGTS, a SELIC, a taxa referencial, os títulos da dívida pública, a provável volta da CPMF, e como isso influencia no seu dia-a-dia e na sua conta no banco?

Então como é que você acha que você tem a capacidade de escolher um presidente, um senador, ou um prefeito, que, em consequência, vão escolher cada um dos (variáveis) ministros, vão definir de forma arbitrária a maldita taxa referencial, vão votar pelas leis que podem te punir porque você não ligou o farol durante o dia, ou vão preferir gastar milhões de reais com um canteiro de flores do que com a saúde pública?

A verdade é que a democracia é uma grande farsa.

Alguns lá em cima fingem que governam para os eleitores, mas sabem que a gente não tem noção nenhuma de como avaliar o trabalho deles.

Então eles simplesmente fazem o que bem entendem.

E aí os eleitores, no mais baixo da escala social e política, discutem e brigam durante uns dois meses pré-eleições, para se sentirem parte de alguma coisa e acharem que estão fazendo alguma diferença.

Depois desse período de muita chatice, tudo volta ao que era antes e então surge algum evento de “emergência nacional” para ocupar a mente de cada um e encher as discussões de bar de novos assuntos.

O único voto que pode fazer alguma mínima diferença

vereador estranho local bairro_opt

Dito tudo isso, existe uma parte da política que pode fazer uma mínima diferença.

Essa é a política local.

A política possível é a que envolve os vereadores de bairro e os prefeitos das pequenas e médias cidades.

As capitais dos estados e as cidades com mais de um milhão de habitantes já estão fora desse espectro. Ou seja, se você mora em São Paulo ou Rio de Janeiro, esquece, nada vai mudar.

Agora, se você mora em uma cidade do interior, VOTE NO VEREADOR DO SEU BAIRRO.

Não importa muito o alinhamento do tal político, se ele é de centro direito ou esquerda, porque quando ele sobe ao cargo nada disso mais tem importância.

O que importa é que ele seja ativo na sua comunidade e que ele se disponibilize a ouvir as demandas dos moradores do bairro.

No bairro em que morei por uns anos no interior funcionou assim por um tempo.

Um cara conhecido do bairro era ativo na comunidade e se candidatou a vereador. Ele foi eleito e durante o seu mandato houve um aumento no patrulhamento da polícia, reforma do parque e da escola do bairro, e até o surgimento de algumas feiras e eventos esportivos.

Com isso houve uma drástica diminuição da criminalidade, aumento da interação entre os habitantes do bairro e aumentou a permanência escolar, porque a criançada tinha prazer em ir pra escola pra jogar futebol na quadra reformada da escola.

Um vereador com boa vontade (e provavelmente com conexões) fez toda essa diferença pragmática no bairro.

Esse tipo de diferença nunca será vista independente do presidente ou governador que for eleito. Ou até mesmo do prefeito, se a cidade for muito grande.

Conclusão

maluf feliz com a democracia

Acredito que um homem de verdade é capaz de enxergar a sua verdadeira posição no mundo, independente da esfera onde ele esteja inserido.

Uma pessoa inteligente logo entende que a sua importância dentro de um cenário político gigantesco como o nosso é irrisória, usando de um eufemismo educado.

Você não tem poder nenhum sobre o futuro político do país.

Mesmo que você mude o voto de 10 pessoas à sua volta, dez vezes zero é sempre zero..

Então, pra que perder tempo com isso?

Use seu tempo com coisas práticas e úteis.

Leia um estóico como o Marco Aurélio para aprender a não depender de líderes na sua vida, vá pra academia para ter uma vida mais saudável, entre no Tinder para se divertir com alguma garota que também queria a mesma coisa que você..

Mas não perca tempo com política.

Lembrando que aqui ainda cabe tudo o que foi falado no artigo “Pense o que quiser, mas comporte-se como os outros“.

Se você se convenceu do que eu falei e passar a se tornar “apolítico” como eu, não saia por aí espalhando o seu novo ponto de vista. Atualmente as pessoas estão muito investidas nisso e os dois lados vão te odiar por isso (um lado vai te chamar de coxinha e o outro de pão com mortadela).

Quando o assunto surge, a melhor coisa a fazer é mudar de assunto. Desvie o foco do assunto para algo interessante como sexo ou filmes.

Garanto que sua qualidade de vida vai melhorar muito.

*

Uma última nota: há muitos que digam que essa é uma visão niilista, e que pensar assim traz uma impotência para o espírito por ser muito “negativa”..

Mas eu digo que é exatamente o contrário. Essa foma de pensar é libertadora.

Ser realista não está atrelado, de forma alguma, a um sentimento de impotência inútil. Ser realista, aqui, apenas traz mais paz à alma por livrar o indivíduo de um dos grandes fardos da existência.

É por esse motivo que ilustrei o artigo com algumas fotos simbólicas da falta de seriedade da nossa política. Se você der uma olhada no quadro geral dos candidatos, verá como a política é um circo que a grande maioria das pessoas leva a sério demais.

Eu considero que o mundo é um grande parque de diversões. E que quanto mais investirmos em nós mesmos, mais fontes de prazer e alegria teremos. E é exatamente por isso que eu não dou espaço para a política em minha vida.

*

 

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